O empresário norte-americano John Textor foi retirado da presidência da SAF do Botafogo, após determinação do Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV), anunciada na noite de quinta-feira, 23 de março.
A CNN Brasil teve acesso ao documento, que estipula o afastamento de Textor sem possibilidade de recurso. A decisão será revisada após a apresentação de manifestação pela Companhia, marcada para 29 de abril de 2026.
Esse veredito foi emitido pela Câmara de Mediação e Arbitragem da FGV, selecionada pela Justiça do Rio de Janeiro no dia 25 de março para mediar a disputa entre John Textor e Eagle Holding.
A assinatura da decisão é de Adriana Braghetta, presidente do Tribunal, junto com os coárbitros Alina de Miranda Valverde Terra e Lauro da Gama e Souza Júnior. O motivo do afastamento está associado ao pedido de recuperação judicial apresentado pela SAF do Botafogo ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, na quarta-feira, 21 de março.
A Eagle Bidco, controlada pela Cork Gully e detentora de 90% da SAF do Botafogo, alertou que as ações de Textor poderiam causar danos irreparáveis aos acionistas e à comunidade de torcedores. Em resposta, a Câmara de Arbitragem da FGV interveio para proteger os interesses envolvidos.
Com a saída de Textor, especula-se que Durcesio Mello, ex-presidente do Botafogo e amigo próximo de Textor, possa assumir a liderança da SAF. Mello, que comandou o clube entre 2021 e 2024, atualmente representa o Botafogo associativo no Conselho de Administração da SAF.
Além disso, a decisão da Câmara de Arbitragem cancelou a Assembleia Geral Extraordinária programada pela administração Textor para o dia 27 de março, que discutiria o futuro da SAF.
Durante sua estadia no Brasil, Textor esteve no Estádio Nilton Santos na terça-feira, 21 de março, assistindo à vitória contra a Chapecoense na Copa do Brasil. Na ocasião, ele concedeu entrevista à Ge TV, discutindo as dificuldades financeiras do Botafogo.
Um laudo da Meden Consultoria, divulgado em 11 de abril, revelou que a dívida do clube atinge cerca de R$ 2,753 bilhões. Textor expressou seu comprometimento com o clube, afirmando que deseja investir a longo prazo, mas reconhecendo que, se outra pessoa puder aportar fundos, será melhor para o Botafogo.