O impacto das novas regras da Fifa no futebol mundial é evidente, especialmente para as seleções africanas. Marrocos e Cabo Verde são exemplos claros dessa transformação, ao utilizarem jogadores da diáspora africana para surpreenderem gigantes do futebol como Brasil e Espanha.
A seleção marroquina, por exemplo, enfrentou o Brasil com uma equipe quase totalmente composta por atletas formados na Europa. Entre eles, o goleiro Yassine Bounou se destacou, apesar de sua formação esportiva ter ocorrido em Marrocos após nascer no Canadá.
As mudanças nas regulamentações da Fifa permitiram que jogadores com dupla nacionalidade escolhessem representar países diferentes dos que iniciaram suas carreiras internacionais. Isso só foi possível graças à flexibilização das regras de elegibilidade, que agora permitem trocas mesmo após atuar em seleções de base.
A regra exige que o jogador tenha cidadania do país ou conexões familiares diretas. Além disso, é necessário comprovar residência mínima de cinco anos no território representado. Tais condições visam impedir a concessão indiscriminada de passaportes para reforçar equipes.
Antes dessas mudanças, qualquer participação em competições internacionais impedia a troca de seleção. A pressão por alterações partiu principalmente das federações do Norte da África, lideradas por figuras como Mohamed Raouraoua, ex-presidente da Federação Argelina de Futebol.
Raouraoua defendeu que atletas africanos muitas vezes eram convocados por seleções europeias nas categorias de base e depois não tinham chances nos times principais, limitando suas carreiras internacionais.
A primeira flexibilização significativa ocorreu em 2003, quando a Fifa passou a permitir mudanças antes dos 21 anos para atletas que ainda não jogaram por seleções principais. Antar Yahia foi o pioneiro ao trocar a seleção sub-20 da França pela Argélia sub-23 e principal.
Essa abertura beneficiou muitos outros jogadores renomados como Pierre-Emerick Aubameyang e Kalidou Koulibaly, que optaram por defender países africanos após iniciarem suas trajetórias em seleções europeias.
A Copa do Mundo atual conta com cerca de 25% dos jogadores representando nações onde não nasceram. Esse cenário reflete as novas possibilidades abertas pelas alterações nas normas da Fifa e ressalta a importância dos atletas da diáspora para as seleções africanas.
Entre os casos recentes está Ibrahim Mbaye, que marcou para Senegal contra a França pouco tempo após jogar pelas categorias de base francesas. A presença maciça desses jogadores destaca o efeito positivo das mudanças regulatórias no futebol global.