O Conselho Deliberativo do São Paulo se reuniu nesta quarta-feira, no estádio do Morumbi, para deliberar sobre a possível expulsão de Mara Casares e Douglas Schwartzmann do quadro social do clube. Ambos são investigados por envolvimento em um esquema clandestino de exploração de camarote no estádio.
A sessão teve início às 19h, com a apresentação do relatório da Comissão de Ética, que propôs a expulsão dos envolvidos. Após a apresentação, os acusados tiveram a oportunidade de se defender, seguidos de questionamentos dos conselheiros. A votação, realizada online, começou apenas às 22h e está prevista para encerrar às 17h desta quinta-feira. Para que a exclusão seja aprovada, é necessário o apoio de dois terços dos 171 conselheiros.
Antes da reunião, o clube já estava agitado. Aproximadamente 30 sócios do grupo Nova Era Tricolor protestaram com faixas pedindo a expulsão de Mara e Douglas. A segurança foi reforçada com a presença de três viaturas policiais, embora não tenha havido manifestações de torcidas organizadas.
No Salão Nobre, o ambiente foi marcado por tensão. A base das acusações é um áudio publicado pelo ge em dezembro, onde Douglas e Mara discutem a venda ilegal do camarote 3A para shows. O áudio foi confirmado como autêntico por peritos e é investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. As defesas de Mara e Douglas foram divergentes.
Mara admitiu a veracidade do áudio e adotou um tom emocional, expressando seu vínculo com o clube. Já Douglas questionou o relatório, alegando que o áudio foi interpretado fora de contexto e se declarou inocente.
O relator da Comissão de Ética, Luiz Braga, comentou sobre as divergências:
– Desde o início, Mara e Douglas foram figuras controversas. O processo contém um parecer de uma auditoria externa, e as declarações são contraditórias. Mara foi sincera sobre a autenticidade do áudio, enquanto Douglas afirmou desconhecer seu conteúdo – relatou.
Além da expulsão, o Conselho pode aplicar penas mais leves, como perda de mandato, inelegibilidade, suspensão ou ressarcimento ao clube.
Em dezembro, uma reportagem do ge expôs o esquema de venda clandestina de camarotes em shows no Morumbi, envolvendo Mara Casares, ex-esposa de Julio Casares, presidente do São Paulo na época, e Douglas Schwartzmann, então diretor adjunto de base.
Em áudios exclusivos, ambos reconhecem a participação no esquema, incluindo o show de Shakira em fevereiro do ano anterior. Schwartzmann menciona que ele e outros ganharam dinheiro com a prática.
O esquema de exploração de camarotes no Morumbi, especialmente o camarote 3A, está sob investigação da Polícia Civil e do Ministério Público. Este camarote, conhecido internamente como "sala presidencial", foi alugado por até R$ 2,1 mil para o show da cantora, gerando um faturamento estimado de R$ 132 mil.
O episódio levou à renúncia de Mara e Douglas de seus cargos e, eventualmente, à renúncia de Julio Casares do cargo de presidente do clube, em meio a discussões sobre impeachment.