O Flamengo manifestou-se judicialmente contra a ação coletiva movida pela 'Educafro', que exige uma indenização mínima de R$ 100 milhões por danos morais relacionados a um episódio de racismo. Em defesa apresentada à Justiça, o clube criticou a iniciativa da entidade, classificando-a como “oportunista”.
Os advogados do clube alegam que o processo tenta imputar exclusivamente ao Flamengo um problema estrutural do futebol brasileiro, desconsiderando outras instituições esportivas. Segundo a defesa, o clube foi escolhido de forma seletiva, transformando a ação em um ataque direcionado sem justificativa proporcional.
Na argumentação, o time da Gávea sustenta que a ação distorce o papel do Judiciário ao criar um “inimigo institucional”, desviando o foco do combate ao racismo. Para o Flamengo, o pedido da 'Educafro' já resultou em "dano à reputação do CRF".
A ação foi iniciada após declarações do então diretor da base, Alfredo Almeida, em julho, no Ninho do Urubu. As falas foram vistas como racistas e provocaram a reação da entidade. Almeida posteriormente se desculpou, afirmando que suas palavras foram tiradas de contexto e que não houve intenção discriminatória.
No processo, a 'Educafro' alega que o clube tem um histórico de práticas racistas desde o início do século XX, citando episódios com atletas negros e situações ocorridas ao longo das décadas. A entidade menciona nomes históricos do futebol brasileiro e afirma que casos de discriminação persistiram até os anos recentes, incluindo manifestações de torcedores.
Em resposta, o Rubro-Negro solicitou a extinção da ação sem resolução do mérito, apontando inconsistências e contradições nos argumentos apresentados. O clube também pediu a condenação do movimento por 'má-fé'.
O Flamengo ressaltou que desenvolve campanhas e programas contra o racismo, como ações educativas e materiais institucionais, afirmando que políticas de não discriminação fazem parte da sua governança. Por outro lado, a 'Educafro' requer, além da indenização, a criação de uma comissão de igualdade racial e a adoção de políticas afirmativas no clube.