O Botafogo deu um passo importante em sua tentativa de reorganização financeira. Na madrugada desta sexta-feira, a Justiça do Rio de Janeiro aprovou o plano de recuperação judicial da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube, decisão assinada pelo juiz Marcelo Mondego de Carvalho Lima, da 2ª Vara Empresarial.
Com uma dívida total superior a R$ 2,5 bilhões, o Botafogo declarou passivos sujeitos à recuperação no valor de R$ 1,2 bilhão. Um dos principais desafios será lidar com as dívidas tributárias que somam cerca de R$ 400 milhões.
A aprovação do plano ocorre em meio a críticas públicas à gestão anterior comandada por John Textor. O clube alvinegro acusa o ex-dono da SAF de falta de compromisso com a estabilidade financeira e institucional da entidade.
O pedido aceito pela Justiça também suspende os transfer bans que a Fifa havia imposto ao Botafogo devido às contratações de jogadores como Rwan Cruz, Santi Rodríguez e Thiago Almada.
Nota oficial do Botafogo
Em comunicado divulgado na noite anterior à homologação, o Botafogo justificou a necessidade do pedido judicial como forma de proteger suas atividades e garantir a continuidade do projeto esportivo. Segundo o clube, bloqueios financeiros e restrições severas ao caixa comprometiam operações diárias.
A SAF destacou ainda que sofreu descapitalização dentro do Grupo Eagle e que recursos substanciais deixaram de ser direcionados ao clube. Enquanto outras entidades ligadas ao grupo receberam investimentos significativos, como os US$ 90 milhões destinados ao Lyon, o Botafogo não contou com injeções financeiras relevantes por mais de um ano.
A próxima etapa envolve apresentar um detalhado plano para equacionar as dívidas e manter as operações atuais. A SAF tem até 60 dias para elaborar esse documento e submetê-lo aos credores conforme determina a legislação.
