O clube Figueirense está em processo de análise de uma proposta de compra para sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF), apresentada por um fundo de investimentos britânico. Este grupo, conhecido no mercado do futebol, ainda não possui outros clubes em seu portfólio e conta com a parceria de um ex-jogador da Seleção Brasileira, cujo nome não foi divulgado.
A proposta inclui um processo de due diligence, uma investigação detalhada das contas do clube, que terá duração de 60 dias. Durante esse período, o fundo de investimentos terá exclusividade até o dia 15 de março. Se a transação for cancelada, uma multa será aplicada, embora o valor não tenha sido informado.
O jornalista Rodrigo Faraco revelou a informação inicialmente na quarta-feira, em sua coluna no NSC Total. Isso levou José Tadeu da Cruz, presidente do Figueirense Associação, e Rafael Franzoni, diretor executivo, a convocarem uma entrevista coletiva para esclarecer detalhes da negociação, dentro dos limites do acordo de confidencialidade.
O interesse do fundo surgiu após uma apresentação feita por Franzoni, que destacou números financeiros, receitas de bilheteria, propriedades imobiliárias e o projeto esportivo do clube, incluindo a vaga para a Copa do Brasil.
A proposta inicial do grupo não foi bem recebida pela diretoria do clube, resultando em negociações subsequentes. A versão final da oferta foi apresentada em 9 de janeiro e prevê a compra de 90% da SAF e a delegação da nova gestão. A Associação do Figueirense manterá representação no conselho e direito a voto em decisões. Um investimento mínimo no futebol está previsto, além da cessão do terreno do Ginásio Carlos Alberto Campos, mas o Estádio Orlando Scarpelli permanecerá sob controle da Associação.
No dia 14 de janeiro, todos os poderes do clube foram informados oficialmente sobre a proposta, iniciando o período de exclusividade de dois meses. Outras propostas podem surgir nesse intervalo, mas só serão consideradas após decisão sobre o fundo atual. Caso o negócio não avance, o Figueirense poderá negociar com outros interessados.
A venda depende da aprovação do Conselho Deliberativo do Figueirense. Segundo o diretor executivo, alternativas estão sendo estudadas para garantir o pagamento da primeira parcela da Recuperação Judicial (RJ) caso a negociação não se concretize.
A RJ é crucial para o avanço deste e de futuros negócios. Espera-se que o processo avance no início de fevereiro, estando atualmente na 1ª instância da Justiça, o que implicou em mudança de juiz. Em 2025, planos de pagamento dos credores foram aprovados, condicionados a garantias apresentadas pelo clube.
Sobre débitos com jogadores e comissão técnica, Franzoni confirmou atrasos de dois meses em direitos de imagem do ano passado, que estão sendo renegociados para pagamento em quatro meses. Além disso, devem a premiação da Copa Santa Catarina e há um acordo específico com o atacante Kayke, que ajustou condições para voltar de empréstimo ao clube.
