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Balanço da CBF revela prejuízo e crescimento expressivo das despesas

Déficit atribuído a gastos operacionais e acerto com clube cearense.
Foto: Lucas Figueiredo/CBFSede da CBF
Sede da CBF

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) enfrentou um déficit de R$ 182,5 milhões no ano de 2025, conforme aprovado na Assembleia Geral Ordinária realizada em 27 de março. Este resultado, de acordo com o balanço da entidade, foi impactado sobretudo pelo expressivo aumento nas despesas operacionais e pelo pagamento de mais de R$ 80 milhões ao clube cearense Icasa, encerrando uma longa disputa judicial iniciada em 2013.

As despesas operacionais da CBF cresceram 111% em comparação ao ano anterior, um reflexo das resoluções judiciais e da regularização de passivos anteriores. A diretoria atual também apresentou a previsão de receita de cerca de R$ 2,7 bilhões para 2026, destacando os esforços contínuos na reorganização financeira da confederação.

Aumento de despesas e reestruturação financeira

O balanço financeiro incluiu um reforço significativo em provisões para contingências cíveis e trabalhistas, totalizando R$ 17 milhões em acordos e baixas. Além disso, a revisão das políticas de provisão para perdas de crédito resultou em um impacto de R$ 55 milhões.

Outros investimentos que pesaram no exercício foram R$ 27 milhões em despesas logísticas, devido ao aumento das viagens da Seleção Brasileira masculina, R$ 13 milhões destinados ao marketing e R$ 9 milhões em tecnologia. Serviços de consultoria em diversas áreas somaram R$ 22 milhões.

A CBF também antecipou, em 2024, receitas de seu maior contrato de patrocínio, firmado com a Nike, o que afetou o balanço de 2025. Apesar do déficit, a entidade ressalta o número recorde de 12 patrocinadores, refletindo uma administração mais eficiente e atrativa.

O presidente da CBF, Samir Xaud, destacou as medidas tomadas para investir em aspectos estruturais do futebol brasileiro e reconstruir a imagem da confederação. Ele afirmou: “Assumimos com a intenção de desenvolver nosso futebol e deixar um legado. Enfrentamos problemas e assumimos o compromisso de reorganizar finanças e dívidas”.

Valdecir de Souza, diretor financeiro, reforçou que o investimento atual visa assegurar crescimento futuro, afirmando que a nova gestão busca eficiência comparável a grandes confederações globais.

Apoio das federações

Durante a assembleia, presidentes de federações estaduais expressaram apoio à administração atual. Rubens Lopes, do Rio de Janeiro, elogiou a descentralização e a gestão compartilhada, que permitiram maior participação das federações nas decisões.

Reinaldo Bastos, da Federação Paulista de Futebol, destacou a posição de protagonismo que a nova gestão traz para a CBF no cenário internacional, além de fortalecer a conexão com os torcedores.